Última atualização: 17/09/2018 - 21:40

BELIANDRO I-II

BELIANDRO I-II

AUTOR

LEONOR COUTINHO DE TÁVORA

MANUSCRITOS

CIB1. LISBOA. ANTT: MS. DA LIVRARIA, 875

PARATEXTOS FRONTISPÍCIO

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[1r] Primeira Parte da Crónica do Emperador Beliandro, em que se dá conta das obras maravilhosas, das valerosas façanhas que no seu tempo obrou o príncipe Belifloro, seu filho, e dom Belindo, príncipe de Portugal, e outros muitos cavaleiros.

 

COMPOSIÇÕES POÉTICAS

 

I PARTE 

 

[22r/a] No tienen los hombres
verdad en amor;
engañoso el trato,
mentida la acción.

De cuantos amaron,
ninguno morió
ni en penar auzencia
ni en sufrir rigor.

Como todo fingen,
corre en su afición
riesgo el apetito,
mas la vida no.

 

 

[32v] Señoras, los condenados de Amor por una ley desigual perguntan de dónde les viene tan viva fuerça al recelo cuando falta la esperança.

[33r] À Senhora Pinaflor:
Son los mayores recelos
de no tener esperança.

D. Belindo

À senhora Leridónia:
El no tener esperança
da mayor fuerça al recelo.

Belifloro

À Senhora Beliandra:
Donde hay faltas de esperança
siempre hay sobras de recelos.

Floranteo

À Senhora Leridónia:
Ni de poder recelar
se me permite esperança.

D. Belindo
À Senhora Delfina:
No ofende con los recelos
quien vive sin esperança.

Rolindo

À Senhora Alcidónia:
Castígase una esperança
como si fuera un recelo.

Artauro

À Senhora Floridea:
Tuviera yo por gran dicha
poder tener los recelos.

Belifloro

[33r/b] Bien hazéis en recelar.

Pinaflor

Pudiérase recelar
el hablar en esperança.

Leridónia

Seguros podéis vivir
que de nada tendréis sobras.

Beliandra

Bien mejor estáis sin ella.

Leridónia

Nadie os livra de ofensa.

Delfina

Como son culpas entre ambos,
será igual el castigo.

Alcidónia

No tendréis invidiosos d´esta dicha.

Floridea

 

 

[91r/a] Ao cavaleiro que,
depois de ser o mais fino e verdadeiro em amar,
foi pago com a maior ingratidão
será concedida esta entrada.

 

 

[129r/a] Temiendo eternidade a la violencia,
viendo eterna la causa que ha vencido,
ofrecióme el discurso por partido
enflaquecer en mí la resistencia.


------------------------------------------------------------------


Más desprecia socorros la paciencia
y estoy a ageno gusto tan unido,
que aquel que contra mi rigor ha sido
no puede resistirse de clemencia

A temer llego, si es atrevimento,
tanta conformidad a tanta ofensa,
pues queda resistencia al sufrimiento.

Imposible será la recompensa,
si es que al paso que crece mi tormento,
crece el amor y crece la ofensa.

 

 

 

CARTAS

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I PARTE

 

[1v/a] Senhor, [1v/b] o sábio Arideo, servo dos soberanos Deuses, a Vós, Excelentíssimo Emperador de Grécia, saúde.

A tristeza em que hoje está a vossa corte será em breves tempos convertida na maior alegria, porque os vossos filhos estão em parte onde serão tão bem servidos como o podiam ser em vossa casa, e quando os virdes será a tempo em que o leão mais feroz sairá da mais escondida cova e com o primeiro bramido chegará ao último da vida a real onça, que livre pelos bravos leões ficará essa corte na maior alteza. E o que aqui digo sucederá sem faltar nada.
Os Deuses sejam em vossa guarda e vos dêem os aumentos que este servo dezeja.

 

 

[27r/a] Tantos anos de vida malgastados são cutelos da vida e tiranos do entendimento, que quem, em nacendo, não soube atinar a servir-vos, não merecia entradas para [27r/b] adorar-vos. Mas vós, senhora, que valeis esse conhecimento, aceitai por reparos da inocência os estremos do maior amor, que quando lhe não devais satisfação, ao menos, não lhe podeis negar as lástimas.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------

Anos de vida malgastados são os que os príncipes passam nas aldeas. Assi fora rezão que o vós entendéreis. Pelo menos, deveis-me a mim desejar muitos que os empregueis melhor que aqui. Ainda que vos estimem não vos podem ter [28r/a] lástimas.

 

 

[56r/a] Amar-vos é crédito de quem vos vio. Confessar-vo-lo é perder o merecimento, que o poder não grangea confiança onde o amor se faz respeito. Só espero que entendais que não ofende em adorar-vos quem não espera mais que permitirdes que vos sirva.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------

[56r/b] Com segura confiança partio meu pai a servir a Vossa Alteza, crendo que os príncipes cristãos não afrontavam vassalos leais. Se se enganou no que esperava de Vossa Alteza, não se enganará do que fiou de mim.

 

 

[86v/b] A Emperatriz de Babilónia, Lucano, Emperador da Grão Turquia, o Grão Sofi da Pérsia, os Califas de Hicónia e Alepo, os Reis de Arménia, de Calcidónia, de Argel, de Fez, de Epiro, Narsinga e do Cairo, e os mais reis, nossos valedores e vassalos, fazemos saber a vós, Emperador de Constantinopla, que pelos grandes agravos que por permissão dos Deuzes temos recebido de Vós e de vossos cavaleiros, vos desafiamos a todos os reis cristãos.
De hoje a seis mezes, com todo o poder de nossos estados, estaremos nessa barra onde poderá ser vos arrependais do que vos devíeis persuadir vos não pediríamos conta.

Os Deuzes sejam em vossa guarda.

 

 

[89r/b] Arideo, servo dos soberanos Deuzes, a vós, D. Belindo de Portugal, saúde.

Bem vejo a queixa com que estareis de quem vos tirou da solidão que escolhestes para reparo da dor com que a buscaste, mas afirmo-vos que tendes menos rezão do que cuidais, porque eu, que fui o culpado, sou o que mais dezejo vosso descanço e o que o hei de procurar, como vós vereis. Crede que o que mais o convém é o haverdes saído donde estáveis, porque nisto remediais os necessitados do mundo, consolaes vosso pai e alegraes aos emperadores. E fiai de mim, que não descontentais a quem vós quereis obedecer. Vinde-vos a Niquea, aonde com mais particularidade vos direi o que mais vos importa.

Os Deuzes sejam em vossa guarda.

 

 

[130r/b] O Cavaleiro Triste, perseguido da fortuna, maltratado do amor, aborrecido da vida e desprezado da morte, às princezas gregas, saúde.

Seguindo uma desesperação, me força o que sinto a defender morto o que padeci vivo. Vossas Altezas, se condenarem o que defendo, lembrem-se que quem soube adorar firme, que se tem desculpa em deixar o juízo nas mãos de uma mudança que não mereceo, que pode defender sem ele que nas molheres anda igual a mudança com a fermosura, e que tanto têm de fermosas quanto de mudáveis. Três dias o sustentarei nesta praça se Vossas Altezas derem licença.
Que os Deuzes guardem com as prosperidades que merecem.

O Cavaleiro Triste.

 

 

[132v/a] Se me animou a esperança deste listão, também posso ter desculpa neste atrevimento. Que oferecer adorações não pode ser ofensa do maior respeito. Inda que sei com quem falo, não sei quem me há de ouvir e faz o temor que fique na alma tudo o que desejava que dissesse este papel.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Não sei se vos ouvio a quem vós quereis falar, mas sei que vos fala quem lhe não peza de vos ouvir. Se pode o que mereceis dar desculpa ao que me aventuro, possa o que eu sou dar à fé interesses de esperanças.

 

 

[133r/b] Não deixa fazer discursos uma dor grande, porque vos vi entre muitos inimigos e, na dúvida de não saber como ficastes, pôde mais a desesperação que o respeito, que fiando muito do vosso valor temo tudo da minha fortuna. Não me dilateis saber como estais, e se for como eu dezejo, não ficará sem satisfação o meu cuidado.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Com a vida se poderá grangear esta obrigação, que tão pouco sangue é pequeno preço de tão grande dívida. No vosso sobresalto esteve o meu risco, que a vossa vista não podia temer outro quem cobrava ânimo na rezão por que se aventurava. Amanhã, se me não matar a saudade, vos irei dizer o lugar que sabe dar minha estimação a esta lembrança.

 

PROFECIAS

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I PARTE

 

[13r/b] Tu, cavaleiro que aqui chegares,
se não temes a morte que te espera,
tangendo essa bozina te serão abertas as portas.


Tu, donzela tão bem-afortunada que aqui chegares,
sabe que não passarás a porta sem receber a maior ferida.
Se te atreves a esperá-la, bate a essa porta.

 

 

[36r/a] Este é o Inferno de Rodearte, onde pagará a culpa de suas inconsideradas entregas. E a princeza Lindoniza pagará a ingratidão com que quer antes conservar-se livre que satisfazer ao amor do Príncipe de Inglaterra, e ele e Estanislao defenderão a entrada aos que quizerem libertar os condenados ao maior tormento, que não poderão ser livres senão pelo cavaleiro que no valor e no amor passe a Rodearte e lhe faça ventagem em ser mal satisfeito, e por uma dama que passe em fermosura e ingratidão a Lindoniza.
E tu, cavaleiro que não fores tributário ao Amor, não cometas a entrada porque terás certa a morte neste fogo.

 

 

[37r/a] O grão sábio Apolidón de Grécia diz que nos Montes Cáspios está o Castelo da Crueldade, onde penarão as princezas gregas castigos do ódio da fera Grifónia.

 

 

[86v/a] No Castelo das Vinganças de Grifónia pagará Dorcina os agravos que lhe tem feito.
E vós, cavaleiros que aqui chegardes, não vos canseis em lhe procurar a liberdade, porque achareis primeiro a morte que lha possaes dar, nem ela a terá senão pelas mãos de quem menos a espera.

 

 

[90v/b] Tu, cavaleiro que aqui chegares,
não intentes passar daqui,
porque não é concedida esta entrada
senão ao que em amor e firmeza fizer ventagem
a todos do seu tempo.

 

 

[112r/a] Os cavaleiros que aqui chegarem
saibam que lhes convém entrar por cada arco um só,
porque de outro modo lhes não será concedida a entrada,
com que terão mais certa a morte
que o poderem sair com vida dos perigos que dentro acharão.


[112r/b] Na Casa dos premiados do Amor se depozitará Polidora,
até que pelas mãos do melhor cavaleiro,
e a quem o mesmo Amor promete maiores satisfações,
seja restituída ao primeiro estado.

 

 

[112v] Na casa da Tristeza penará o Príncipe de Serdenha a culpa de querer ser melhor amigo que fino amante, até que o cavaleiro que no amor lhe fizer maiores ventagens e que na tristeza a faz aos que melhor a sabem sentir, o tire de tão triste lugar.

 

 

[119v/b] Tu, cavaleiro tão ditoso que chegares a este lugar, [120r/a] trabalha por vencer as guardas do Castelo das Maravilhas em que o grão Sábio Apolidón, em benefício dos emperadores de Grécia, deixou depositadas as Coroas da Fermosura para as que melhor as merecessem. Se não temes os perigos dele, toma essa chave com que te será aberta a porta.

 

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos e segunda parte com 56 capítulos. 

CIB2. LISBOA. BN: CÓD. 344

PARATEXTOS FRONTISPÍCIO

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[1r] Livro I. Parte II da Crónica do imperador Beliandro, em que se dá conta dos valerozos acontecimentos dos príncipes Belifloro e Dom Belindo e de outros muitos cavaleiros.

 

COMPOSIÇÕES POÉTICAS

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II PARTE

 

[189] Recelo de agena dicha
porque la mía no espero.

 

 

[190] Lisonja haréis al Amor
en mirando el Emperador.


Non l´hay cautelar ofensas
al destino.
Sufrir cuerda es el mejor
camino.

 

 

[191] Es la sucessión segura
respuesta de mejor suerte.


Tema el Amor tu izención

que hay riesgos en la Fortuna.

 

 

[192] Temor de la suerte puede
dezanimar la Esperansa.


Nadia esperando en mi suerte,
todo en mi suerte lo temo.

 

 

[193] Guardando leis al respeto
no condeno la esperança.


Se paga la suerte méritos,
segura tenéis la dicha.

 

 

[194] Primero que la esperasse
tube dudas del recelo.

 

 

[215] Temiendo eternidad la violencia,
viendo eterna la cauza que ha vencido,
oferecióme el discurso por partido
enflaquecer en mí la rezistencia.

 

 

[216] Más desprecia socorros la pacencia
y estoy a ageno gasto tan unido,
que a cual que contra mi rigor ha sido
no puede rezistirce de clemencia. 

A temer llego, si es atrevimiento,
tanta conformidad a tanta ofensa,
pues que da rezistencia el sufrimiento,

imposible será la recompiensa
si es que al passo que cresse mi tormento,
cresse el Amor y cresse la ofensa.

 

 

[445] Quem não espera, qué teme?


Dezencontro a morte
porque a busco.


Só por vinganças
alcancei venturas.


Queixozo não,
magoado sim.


[446] O que mais me dói.


Quem sem lus caminha,
como encontrará o que busca?

 

 

[532] Benefício da ingratidão.

 

 

[558] Com pouca rezão.

 

CARTAS

cartas-lisboa-antt-cod-344.pdf

 

II PARTE

 

[219] O Cavaleiro Triste, da fortuna perseguido, mal tratado do Amor, aborrecido da vida e desprezado da morte, às Princezas Gregas, saúde:

Seguindo ua dezesperação, me forsa o que sinto a defender morto o que padeci vivo. Vossas Altezas, se condenarem o que defendo, lembrem-se que quem soube adorar firme, se tem disculpa em deixar o juízo nas maons de ua mudança [220] que não mereço, que nas mulheres anda igual a mudança e a fermozura; e quanto têm de fermozas, tanto têm de mudáveis. Três dias o sustentarei nesta praça, se Vossas Altezas derem licença.

Que os deozes guardem com as prosperidades que merecem.

 

PROFECIAS

profecias-lisboa-antt-cod-344.pdf

 

II PARTE

 

[542] Triunfo da Caza Otomana, onde os Emperadores de Grécia e os mais reis e príncepes estarão depozitados até que o Grão Turco, com os mais aliados seus, entrem a tirá-los e fazer sacrefício deles aos deozes, que, já cançados de os sofrer, não lhe permitem maior duração nas suas fortunas.

 

CIB3. LISBOA. BN: CÓD. 345

PARATEXTOS FRONTISPÍCIO

frontispicios-lisboa-bn-cod-345.pdf

 

[1r] Terceira Parte da História Grega do imperador Beliandro e mais aventuras sucedidas no seu tempo.
Escrita por Cornélio Faquião, inglêz

 

COMPOSIÇÕES POÉTICAS

composicoes-lisboa-bn-cod-345.pdf

 

III PARTE

 

[11] También para los tristes huvo muerte.

 

 

[19] Ni siempre es lo que paresse.


Porque en el puerto Alagure.


[20] Vive mi amor en mi fuego.


Sin peligro e con temor.


[21] Falta aquí quien la meresse.


El universo a tus pies.


Sem ti, tanto amor, qué vale?


[22] Mis esperanças te prenden.


Es mi dioza la que vence.

 

 

[25] Buela, bajel medrozo,
pues en mis males lhevas
esclavos a los remos,
suspiros a las velas.

No temas que te anegue
del llanto las maretas,
que exseden los tomentos
y amainan las tormentas.

Con lastro de desdichas
ningún peligro temas,
que es muy ligero el aire
y sus pezares pezan.

[26] Si al África caminas,
ve que dejas en Grecia
áspides venenossos
más que la Libia engendra.

Huye [letras riscadas] peligro
lo dizen las arenas
a las playas que buscas
de las playas que dexas.

Si llevas mi cuidado,
llegan pera que vean
que quien con penas parte
también con penas llega.

 

 

[27] Tudo pode a fortaleza.

 

 

[37] Así son mis esperanças.

 

 

[44] Ch´assai peggio di morte e cangiar voglia.

 

 

[45] Vinto del spra passion vanegio.

 

 

[47] Brama assai poco spera e nulla chiede.

 

 

[48] In voi serbatte.

 

 

[49] Che ben si cambi con l´honor la vita.

 

 

[50] Puoter di sé dispore amor l´ha tolto.

 

 

[51] Que sin clavarle amor flecha.

 

 

[52] Poi che solo conquista ho vinto amor.

Aprendi l´una o rendi l´altra.

 

 

[62] Adonde me arrebata
meu pençamento, adonde
se o teu cuidado mesmo
com teu cuidado morre.

Adonde me encaminhas
quando me ves tão longe
de mim, por que me queixo
de alguém? Por que me foge?

Se me aseguras ditas,
como animar se pode
quem ontem vio finezas
e sente agravos hoje?

Já nem de esperança
auxílios me socorrem
que a ingratidaõ que deixa
obriga a que não torne.

Se porque de mim fuja
tão velosmente corres,
adonde entre desgraças
como entre meus temores.

Se para que te busque
me deixas, como pode,
por mais que saiba, quando
sabes a alma donde?

 

 

[78] Es verdugo del alma la memoria.

 

 

[121] Inda eclipsado te sigo.

 

 

[130] Para outro tempo.

 

 

[137] Para alumiar o mundo.

 

 

[138] Esta cor me dezespera.

 

 

[144] Ademirai-vos, peregrinos,
que guarda esta sepultura
de amor vorazes insêndios
nas sinzas da fermozura.

 

 

[164] De donde, amor tirano,
contra meu peito trazes
armados de rigores
exércitos de males;

[5 nunca contra teus tiros
se opôs minha vontade
e o peito mostra quantas
feridas nele cabem.

Um tempo em disfavores
o peito maltrataste,
fazendo o sufrimento
motivo das crueldades.

Os dezenganos n´outro,
por mais atormentar-me,
armados de suspeitas
porpunham o combate.

Mais tirano que nunca
dispoins para acabar-me;
a alma que me anima
da vida me roubaste.

De penas para penas
foste sempre mudável
porque sentisse firme
também variedades.

[166] Deixa-me, amor, agora
porque para matar-me
falta só que conheça
que agora me deixastes,

pois sem tantos auxílios
me levam as saudades
reciando alegrias,
esperando pezares.

 

 

[177] O que espero.

 

 

[178] Para que em meu pranto dure.

 

 

[182] Lizonjear sim, não arrimo.

 

 

[204] Mote à senhora Leridónia.
Não falta a fé que dá vida!
Quem para mais morrer morre.
O Cavaleiro dos Lírios.


À senhora Alcidónia.
Porque falsa a fé milagres!
Fes a auzência groçarias.
O Cavaleiro dos Malmequeres.


À senhora Clarícia.
Quem sabe morrer saudozo
ressucitará fiel.
O Cavaleiro das Flores.


À senhora Lusbeia.
Saudade minha, matai-me
porque a fé me torne à vida.
O Cavaleiro das Estrellas.


À senhora Delfina.
Mata a auzência por instantes
e a fé por eternidades.
O Cavaleiro da Esfera.


À senhora Beliandra.
Mate embora a minha pena
que me há-de valer a fé.
O Cavaleiro de Cupido.


À senhora Florideia.
Cada ves a auzência mata!
Tantas a fé ressucita.
O Cavaleiro da Sentença.


À senhora Pinaflor.
Com a fé naõ temo saudades;
se matam, ressurgirei.
O Cavaleiro das Ondas.


À senhora Gracelinda.
Infielmentte fiel!
Vivo e morro de saudades.
O Cavaleiro da Lua.


À senhora Leridónia.
Se a minha fé me condena
a saudade me eterniza.
O Cavaleiro da morte.

 

 

[207] À senhora Leridónia.
Não falta a fé que dá vida!
Quem para mais morrer morre.
O Cavaleiro dos Lírios.


Resposta
Quem tantas vezes acaba
vontade tem de acabar.
Leridónia.


À senhora Alcidónia.
Porque falsa a fé milagres!
Fas a auzência groçarias.
O Cavaleiro dos Malmequeres.


Resposta
É sacrefício da fé
esperar sempre milagres.
Alcidónia.


À senhora Clarícia.
Quem sabe morrer saudozo
ressucitará fiel.
O Cavaleiro das Flores.


Resposta
A quem pode resurgir
nada lhe devo em morrer.
Clarícia.


À senhora Lusbeia.
Saudade minha, matai-me
porque a fé me torne à vida.
O Cavaleiro das Estrellas.


Resposta
Se vos fizer esse gosto,
folgaremos todas munto.
Lusbeia.


À senhora Delfina.
Mata a auzência por instantes
e a fé por eternidades.
O Cavaleiro da Esfera.


Resposta
Quem quer morrer tantas vezes
é bem que algua ves morra.
Delfina.


À senhora Beliandra. Mote
Embora a minha pana
que me há-de valer a fé.
O Cavaleiro de Cupido.


Resposta
Quem finamente padece
confie embora na fé.
Beliandra.


À senhora Florideia.
Cada ves a auzência mata!
Tantas a fé ressucita.
O Cavaleiro da Sentença.


Resposta
No es para cada dia
morir e ressucitar.
Florideia.


À senhora Pinaflor.
Com a fé naõ temo saudades;
se matam, ressurgirei.
O Cavaleiro das Ondas.


Resposta
Fiai-vos nisso.
Pinaflor.


À senhora Gracelinda.
Infielmentte fiel!
Vivo e morro de saudades.
O Cavaleiro da Lua.


Resposta
É impossível que assistam
dois contrarios em um sugeito.
Gracelinda.


À senhora Leridónia.
Se a minha fé me condena
a saudade me eterniza.
O Cavaleiro da morte.


Resposta
Tudo isso será no Inferno.
Leridónia.

 

 

[209] À senhora Drabazinda.
Se saudades mataram,
munta gente morreria.
Inil


Resposta
Naõ a vós, que não sois Anjo
para ter alma sem corpo.
Drabazinda.

 

 

[263] Lirino, se esta auzência me não mata,
de que me serve a vida
donde milhor perdida
que aonde iternamente se dilata,
se bem é ditoza sorte
ter ua vida para tanta morte?
Ay Fileno, se a vida me faltara,
de que me serve a pena
onde o que amor ordena
a minha paciência exercitara?
se acaba o sentimento,
como há de merecer o sofrimento?

Lisino, se estas redes embaraça
o mar sem se romperem
é porque jamais querem
deter as linfas que por elas passam,
[264] que se elas rezestiram
as malhas de chumbadas se esparciram.
Fileno, nesta cana esta sedela
que leva o maior vento
pesca com sufrimento
o peixe ornado de brilhante estrela
somente porque deixa
levar na isca o bem, no anzol a queixa.

 

 

[282] Esta só para ti basta.

Na terra e no céo me temem.

 

 

[295] Lindaraxa, o meu tormento
que nasse do meu querer,
de quem se queixa não sabe
e eu de quem me mata sei.

[296] Sei que me mata e não posso
dizer a estas Ninfas quem
para não ter envejozos
na dita do padecer,

propísia a Fortuna ordena
porque dure o merecer
muntas mortes em uma vida,
muntas vidas em um morrer.

Morro e vivo juntamente
e não sabe a minha fé
o que há de ser; em mim vivo
também morto o que há de ser.

Quem me mata me dá vida
e se ignoro para que,
bem mostra o golpe que foi
para matar-me outra ves.

Fénis de milhor incêndio
iternamente serei,
pois a pira que me abraza,
essa me fas renasser.

[297] Sésifo de eternas penas
sou, pois nunca acabarei
de desser para subir,
de subir para desser.

Lindaraxa, em tantos males
apelo ao vosso poder,
se essa fermozura um hora
apartais de ser cruel.

 

 

[315] Sem armas podeis entrar,
que o Deus de Amor e Beleza
tem victória sem batalha,
tem triunfo sem contenda.

 

 

[326] Pergunta quem sabe amar,
se é cazo em que venha a ser
groçaria o padecer,
fineza o dezesperar.

 

 

[330] Este só para ti basta.

 

 

[332] Na terra e no céo me temem.

 

 

[335] Benefício da ingratidão.

 

 

[344] Soneto.

Lince falto de lus, Argos vendado,
Viego ninho e ninho siempre antigo,
hablador mudo con caudal, mendigo
sabio ignorante, senesdu armado,

error suave, mal tan deziado,
herida dura de piedozo amigo,
temerario temor, falso testigo,
ardiente yelo como ardor yelado,

de concorde desconcordia, abismo itierno,
diamante blando, pero vidrio duro,
guerra em pax e tempestade em calma,

[345] paraízo infernal, seleste infierno,
este es amor, e se de mi pecho apuro
lo siente el coraçón, lo ignora el alma.

 

 

[351] Peza igual esta balança
quem por sorte amor escolhe
na fortuna que recolhe
quanto promete a esperança.

 

 

[358] Se me fugio quando a tive,
não chegará quando a espere.

 

 

[363] Tristezas amorozas,
não vos chameis tristezas,
pois vindes a dar gostos
quando quereis ser penas.

Se buscais nos pezares rezão
a vossa queixa,
achareis no cuidado
a glória da fineza.

De que serve o tormento
se a minha paciência
fas abraçar alívios
o que intimais querê-las?

Dos males que padeço
vivo tão satisfeita
que só me lembra o gosto
no pezar com que o lembra.

Daquelas alegrias
estou já tão izenta,
que porque as não conheço
se explicam por aquelas.

[364] Já foram quando foram,
mas agora quizera
que tornando a ser minhas
me tratem como alheias.

 

 

[370] Calharé la pena mía
o publicaré el dolor.
Si lo callo, no hay remedio;
si lo digo, no hay perdón.

 

 

[376] De solo olvido no podré quejarme,
que ainda no se acordaren de olvidarme.

 

 

[380] Comigo me dezavim,
estou posto em grão perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.

 

 

[383] Ribeiro caudelozo,
de lágrimas soberbo,
com prezunçoins de rio,
te esqueces de ribeiro.

Dize, como conformas
os distantes extremos
de tuas claras ágoas
com meus tristes incêndios?

Se são linfas e chamas
contrários elementos,
como entre tantas ondas
só labaredas bebo?

Por isso não metigo
a sede que padesso,
pois o mesmo que me abraza
serve de refrigério.

[384] Ao ruído suave
que fazes nos penedos
a organizar gemidos
não sei como me atrevo,

que munto se discorte
o sonorozo pletro
se descompoem tocando
da vos que está gemendo.

 

 

[391] Os meus tristes gemidos
leam-ce nestes troncos,
já que os ecos são roncos
nos frondozos ouvidos
dos verdes desta selva moradores,
aos tormentos facis de minhas dores.

Sinta esta minha pena
a árvore vezinha;
creça, que a pena minha
riguroza condena
julgando pela dor o sofrimento
de o desfazer à força do tormento.

Á, tirana violência,
matais e me dais vida,
Á, cruel humecida
não julgais paciência
tão novo modo de sofrimentos
e tão novo gostar dos sentimentos!

[392] Vou-me atrás do meu dano
onde me leva a sorte,
se encontro a minha morte,
sou do meu bem tirano,
que viver não posso em tal conflito,
pois quero o que não sei e o deixo escrito.

 

 

[405] Cuidados, não sei como
repartis os afectos
por quem me quer amando,
por quem me quer morrendo.

[406] Amo e morro, e de modo
encontrais os extremos,
que o remédio de fino
não pode ser remédio.

Se morro por quem mata,
fujo do que padeço
e é falça valentia faltar
do sofrimento.

Se acabo por quem amo,
cobardemente vejo
que temo a minha pena
sem cuidar no que temo.

Porque se meus pezares
repartiram tormentos
os que matam penando
me animaram sofrendo.

Ó, quem me dera agora,
moderando os exceços,
envejar o descanço,
se isto foura suçego.

[407] Neste tranquilo espasso
que os gostos conçidero,
tanto que foram gostos,
já foram sentimentos.

De que vos serve logo,
cuidado, o vosso emprego,
se a glória há de ser pena
e o Paraízo Inferno?

 

 

[432] Quem as memórias trazia
por esta morte as trocou,
cuidando que morreria,
e assim por elas tornou
por ver se nelas morria.


También para los tristes huvo muerte.

 

 

[423] Assí son mis esperanças.

 

 

[436] Pergunta um coração triste,
que vive do seu penar,
se se pode aliviar
com o bem que no mal conciste.

 

 

[437] Se o bem que no mal consiste
tem força de aliviar,
como se pode chamar
a este coração triste?

 

CARTAS

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III PARTE

 

[40] Ao Emperador de Grécia, saúde:

O sábio Arideo, vosso servidor e grande amigo, vos beija a rial mão e pede com todo o decoro perdão do pezar de que hoje vos foi cauza na auzência das senhoras princezas, mas porque o vosso servisso no seu amor está primeiro que o vosso gosto, antevendo o que os soberanos deozes tinhão [41] decretado e Tiferno entendido, foi forçozo dilatar-ce por este modo o que tínheis determinado das senhoras princezas para tempo em que com mais sigurança se posso executar. Elas serão servidas como em vossa própia caza e o príncepe Belifloro fica são.

 

 

[205] Carta para a senhora Leridónia.

Senhora, estes motes que nesta iterna auzência ditou a saudade, se ofrecem a Vossa Alteza não para que nos remedeie com a compaxão, mas sim para que nos castigue com a justiça, porque não deixou de [206] ser culpa o obrigar-nos os delírios de ũa auzência a pôr dúvidas na nossa fé e na fineza da nossa saudade.

O Cavaleiro da Morte.

 

 

[209] Resposta ao Cavaleiro da Morte.

A justiça sempre condena aos culpados e como neste tribunal são os condenados encapazes do perdão, porque são incapazes de arrependimentto não se ademite a desculpa dos delírios porque se desmentem com a pertinácia.

Leridónia.

 

PROFECIAS

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III PARTE 

 

[10] O cavaleiro mais fino e mais mal satisfeito achará neste padrão a coroa de seu sentimento e o remédio de sua dezesperação.

 

 

[79] Nenhum cavaleiro se atreva a passar ao Castelo das Memórias senão aquele que por perdido neles as queira perder.

 

 

[88] Quando a generoza águia se lastimar dos gemidos da inocentte pomba, então serão claros os [89] mistérios do Lago Escuro.

 

 

[262] Tanto que nesta ilha portou pessoa que na formuzora excedia às princezas encantadas, e na disgraça as igualava, logo os loureiros não poderão rezestir aos seus excessivos raios.

 

 

[319] A esta Selva dos Prodígios
darão fim aqueles dois
prodígios pela fineza,
prodígios pelo valor.

 

CIB4. LISBOA. BN: CÓD. 346

PARATEXTOS FRONTISPÍCIO

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[1r] Quarta Parte da História Grega do imperador Beliandro e mais aventuras sucedidas no seu império.
Escrita por Cornélio Faquião, inglêz.

 

COMPOSIÇÕES POÉTICAS

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IV PARTE

 

[22] A tua fé vence a minha.


Porque me excedes te cedo.


Muito dezeja, pouco espera e nada pede.

 

 

[23] Oprimida resplandece.


Sem lhe cravar Amor flexa.

 

 

[24] A tua luz me extinguio.

 

 

[26] Não se retira vencida quem para tornar-se auzenta.


Só com esta venci Amor.

 

 

[27] Nada abranda esta dureza.

 

 

[28] Em vós se guarda.


Ainda que fosse de bronze.

 

 

[29] Puoter dice dispose Amor l´ha tolto.


Mas que não chegue.


Que bem se troca pela honra a vida.


Porque contra o tempo dure.

 

 

[30] Ou pega em uma ou deixa outra.


Sempre amargo.

 

 

[90] Antes morto que manchado.

 

 

[94] É mais forte o que padeço.

 

 

[130] Para que es amor tirano
contra o meu peito rendido,
se para o ar vento basta
conhecerdesme ferido.

Se fulminas contra uma alma
que se confessa vencida
tanta multidão de raios
acreditas-te homicida.

Larga a seta, quebra o arco,
que a victória não consiste
no estrago que deixas feito,
mas em vencer quem resiste.

 

 

[155] Se para tiranizar-me
bastam só minhas tristezas,
por que, penozas lembranças,
me dais motivo a mais queixas?

 

 

[262] Se as lágrimas que choro
são ardentes faíscas
que exhala o incêndio,
que o peito martiriza,

como, desatadas
em líquida corrente,
parecem cristaes,
sendo a chama ardente?

E se o fogo sobe
no ar que respira,
como não alenta
uma alma que suspira?

[263] E se tudo sobra
a quem falta a dita,
acabe na morte
uma vida aflita.

 

 

[291] Se para roubar-me a dita
ma mostrou a iniqua sorte,
acredite a minha morte
que pena ua alma aflita.

Rezistir tanto martírio
já não pode o sofrimento,
que excede manso o tormento
e desculpa o meu delírio.

 

 

[332] Mais fácil será
que as plantas não creçam,
que as penhas se movam,
que as nuvens se parem,
que os montes se abatam,
que os vales se subam,
que os rios não corram,
que os brutos intendam,
que os astros não girem,
que mudem de esfera,
que a minha fortuna
deixe de ser fera.

 

 

[336] Pergunta o amor mais puro,
que perzume iternizar-se
qual pode ser a fineza
com que logre acreditar-ce

 

 

[341] Crédito de puro amor,
só poderá meresser
quem praticar em rigor
querer por solo querer.

 

 

[479] Senhoras,
pede licença ao respeito
reverente adoração
para que julgue a rezão
donde habita amor perfeito.

Defendem os pescadores
que na praia estende a rede
e no logro que concegue
alimenta fiel os seus ardores.

Contradizem os pastores
com que no prado se apura
a fé na mesma lizura
que eterniza os seus fulgores.

Ofrece Alfeo ao sertamen
grato ouvido e justo prémio,
que acredita aquele prémio
em que luzir na fé perfeito exame.

 

 

[480] Sem ofender o respeito
pode apurar-ce a questão,
e o que julgar a rezão
conçulte-nos com ifeito.

 

 

[483] Anfrizo no monte Olimpo
apassenta o seu cuidado
mais que os outros enlevado
como entre as flores o Orinto.


Arma a rede por custume
mas não cuida no pescado,
[484] porque lhe prende o cuidado
quem zomba do seu queixume.

 

 

[484] Alcino, que nada espera,
deixa a rede ao destino
que atropela.

 

 

[485] Amintas, que de Cidônia
deixa o setro pelo prado
mostra a fé do seo cuidado.


Sílvio, que em Monte Maior,
descuidado do rebanho,
acredita o fino empenho,
mas que perca o de pastor.

 

 

[486] Albano, perpara a rede
e lança ao mar os anzóis,
mas admirando dois sois,
deixa tudo e a lus segue.

 

 

[487] Mal pode pescar de noite,
suposto aplique o farol,
quem só segue a lus do sol.

 

 

[488] Mirtílio, busca na Arcádia
a prática desconhecida
para dar por gosto a vida
nas aras da fé que guarda.


Em métrica sós
em fino conceito
permite o respeito
que ao eco velos
se fie a contenda
que julgue o porblema
e prove a questão,
mostrando a rezão
com que prezume o peito
felis habitação do amor perfeito.

 

 

[502] Se não receias os perigos, chama.

 

 

[505] É tão sublime a dita que te espera,
que fas enveja a ũa e outra esfera,
mas primeiro que chegues a lográ-la
junto ao sol hás de subir para alcançá-la.

 

 

[508] Sem os riscos do despenho
pode dar lus ao mundo o teo valor,
pois na constância maior
mostra do teu aserto o dezempenho.


Vamos ao Palácio Portentozo
porque vejas em um e outro himisfério
como um sol ao outro sol sede o Império.

 

 

[510] Não receia a crueldade
quem a tem por alimento.


Pode matar-me o rigor,
mas não fazer-me inconstante.


Há de eternizar-ce puro,
apezar da ingratidão.


De que me servem os olhos
se não vejo em que empregá-los.


[511] Fugio-me a dita na sombra
que choro sem alcançá-la.


Se me mata a saudade,
como dura o padecer?


O respeito me condena
a martirizar a vós.


Viva amor em chama pura
que abraze o peito inocente,
pois amando independente,
adorando, respeita a fermozura.

 

 

[525] Triunfo da mais heróica fineza.

 

 

[559] A minha lus te dá vida.


[560] Non plus ultra.


Que produs a dilação.


[561] Tarde chega, mas dá vida.


Quando se esconde, desmayo.


Ainda que os pinhos firam
animam as esperanças.


Para chegar mais depressa.


[562] Voa o tempo
e para a dita.


Busco a lus para abrazar-me.


Quanto tarda.


[563] Porque lhe tarda o alento.


Inda mais bela.


[564] Nada basta para deixar de seguir-te.

 

 

[620] Senhoras.

Se a esperança é delito e a desconfiança culpa, [621] digam-nos Vossas Altezas como pode a impaciência deixar  de ser groçária.

À senhora Fedelinda.
Para ter mais que ofrecer
fasso gosto do martírio.

Belifloro.
À senhora Gracelina.
Semo seja confiança
tanto suspirar a dita.

Claramante.
À senhora Olinda.
Que munto se atreva ao sol
quem nasse águia no vôo.

Sacrídio. À senhora Pinaflor.
Se quanto respiro é fogo
que munto se abraze o peito.

Aliadus.
[622] A senhora Beliandra.
Das dilacoins da ventura
fas cabedal a fineza.

Floranteo.
À senhora Floridea.
Abraze-ce o coração
porque a fé lhe alenta a chama.

Filismundo.
À senhora Clarícia.
É Fénis a minha fé
que renasse sem morrer.

Florimante.
À senhora Clarinda.
Esperanças dilatadas
matam sem tirar a vida.

Rozimundo. À senhora Florinda.
Quem nasseo para adorar
eterniza a escravidão.

Lindonizo.
[623] À senhora Delfina.
Sacrefique-ce o dezejo
nas dilacoins da ventura.
Rolindo.
À senhora Lusbeia.
Castigue-me a dilação
os delírios do dezejo.

Políbio.
À senhora Alcidónia.
Acredite-se a fineza
mas que padessa a esperança.

Artauro.
À Ninfa do bosque.
Só pode curar a chaga
a mão que menistra o golpe.

Fileno.
À senhora Liridónia.
Por milagre do perceito
dura sem alento a vida.

D. Belindo.
[624] À senhora Liridónia.
Senhora.
Os suspiros da fineza
que acrizolam a ventura dilatada
se ofrecem a Vossa Alteza recignada
a sofrer o castigo da inteireza.
Não implica, porém, com a firmeza
a queixa da esperança retardada,
que o receio de perder a dita dezejada
apura a fé no martírio da incerteza.

 

 

[625]  À senhora Fedelinda.
Para ter mais que ofrecer
fasso gosto do martírio. Belifloro.

Reposta.
Voluntário sacrifício
obriga a satisfação.
Fedelinda.

[626]  À senhora Gracelinda.
Semo seja confiança
tanto suspirar a dita.
Claramante.

Reposta.
Não pode ser confiança
o que acredia a fineza.
Gracelinda.

À senhora Olinda.
Que munto se atreva ao sol
quem nasse águia no vôo.
Sacrídio.

Reposta.
Se tem firmeza na vista,
não lhe culpo a confiança.
Olinda.

À senhora Pinaflor.
Se quanto respiro é fogo
que munto se abraze o peito.
Aliadus.

Reposta.
Concervai-lhe a chama pura,
que não se ofende o respeito.
Pinaflor.

A senhora Beliandra.
Das dilacoins da ventura
fas cabedal a fineza.
Floranteo.

Reposta.
Se se interessa a fineza
não vos queixeis da ventura.
Beliandra.

À senhora Floridea.
Abraze-ce o coracão
porque a fé lhe alenta a chama.
Filismundo.

Reposta.
Se a fé vive e fica a chama
não padessa o coracão.
Floridea.

[627]  À senhora Clarícia.
É Fénis a minha fé,
que renasse sem morrer.
Florimante.

Reposta.
Na glória da adoração
tem o prémio a vossa fé.
Clarícia.

À senhora Clarinda.
Esperanças dilatadas
matam sem tirar a vida.
Rozimundo.

Reposta.
Mas sempre são esperanças
inda que sejam detidas.
Clarinda.

À senhora Florinda.
Quem nasseo para adorar
eterniza a escravidão.
Lindonizo.

Reposta.
Se vos obriga o destino,
não fazeis munto em segui-lo.
Florinda.

À senhora Delfina.
Sacrefique-ce o dezejo
nas dilacoins da ventura.
Rolindo.

Reposta.
Se é involuntária a víctima
ser a nulo o sacrefício.
Delfina.

À senhora Lusbeia.
Castigue-me a dilação
os delérios do dezejo.
Políbio.

Reposta.
Se deliaris no dezejo
justamente vos castigam.
Lusbeia.

[628]  À senhora Alcidónia.
Acredite-se a fineza,
mas que padessa a esperança.
Artauro.

Reposta.
Quem acredita a fineza
tem de justiça a ventura.
Alcidónia.

À Ninfa do bosque.
Só pode curar a chaga
a mão que menistra o golpe.
Fileno.

Reposta.
Não duvideis do remédio,
que se enteressa o cuidado.
Ninfa.

À Senhora Liridónia.
Por milagre do perceito
dura sem alento a vida.
D. Belindo.

Reposta.
Seja milagroza a vida
que se sustenta da fé.
Liridónia.

[624]  À Senhora Liridónia.
Senhora.
Os suspiros da fineza
que acrizolam a ventura dilatada
se ofrecem a Vossa Alteza recignada
a sofrer o castigo da inteireza.
Não implica, porém, com a firmeza
a queixa da esperança retardada
que o receio de perder a dita dezejada
apura a fé no martírio da incerteza.

Reposta.
É tão estimável a fineza apurada na fe, que não podendo negarce-lhe o crédito, fica a dívida ao agradecimento empenhado na satisfação.
Liridónia.

 

 

[638]  Tanto subi que a encontrei.

 

PROFECIAS

profecias-lisboa-bn-cod-346.pdf

 

IV PARTE 

 

[203] Segue a margem, acharás mais do que dezejas.

 

 

[453] Tu, cavaleiro tão venturozo que chegastes a entrar na Ilha dos Agrados, cuida em não alterar o sucego dela com atençoins particulares, porque à primeira transgreção, a perderás de vista com toda a esperança.

 

CIB1. LISBOA. BN: C.J.M 682

MAIS INFORMAÇÃO

Manuscrito incompleto. Contém só os primeiros 28 capítulos. 

CIB 1-2. LISBOA. BN: AT 275

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos e Segunda parte com 51 capítulos. 

CIB1. LISBOA. BN: CÓD. 343

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Códice miscelâneo encadernado junto do Jardim de Portugal, de frei Luís dos Anjos. 

CIB2. LISBOA. BN: CÓD. 6037

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte, que abrange do cap. 26 até ao 48, sendo continuação de um dos manuscritos da Biblioteca Universitária de Utrecht, o ms. 11.C.3. 

CIB 1-2. LISBOA. BN: CÓD. 6482

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte, com 41 capítulos. Segunda parte com 56 capítulos. 

CIB 1-2. LISBOA. BN: CÓD. 8385

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Segunda parte com 56 capítulos. 

CIB 1-2. LISBOA. BN: CÓD. 8871

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Segunda parte com 56 capítulos. 

CIB 1-2. LISBOA. BN: CÓD. 9269

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Segunda parte com 56 capítulos. 

CIB 1-2. LISBOA. BN: CÓD. 9807

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Segunda parte com 56. 

CIB 1-2. LISBOA. ACADEMIA DAS CIÊNCIAS, S. VERMELHA: CÓD. 24

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Segunda parte com 51. 

CIB 1-2. LISBOA. BA: 46-VIII-45

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Segunda parte com 56. 

CIB1. LISBOA. ANTT: MS. DA LIVRARIA, 877

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. 

CIB1. LISBOA. ANTT: MS. DA LIVRARIA, 1200

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 75 capítulos. 

CIB2. LISBOA. ANTT: MS. DA LIVRARIA, 1761

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte com 51 capítulos. 

CIB2. LISBOA. ANTT: MS. DA LIVRARIA, 1918

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte com 63 capítulos. 

CIB1. LISBOA. MUSEU NACIONAL ARQUEOLOGIA BELÉM: CÓD. 47

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte, de 42 capítulos. 

CIB2. LISBOA. MUSEU NACIONAL ARQUEOLOGIA BELÉM: CÓD. 48

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte, com 23 capítulos (do capítulo 29 até à metade do capítulo 51). 

CIB 1-2. LISBOA. MUSEU NACIONAL ARQUEOLOGIA BELÉM: CÓD. 81

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos e Segunda parte com 51 capítulos. 

CIB1. BRAGA. BPAD: MS. 102

MAIS INFORMAÇÃO

Conserva só a primeira parte, com 41 capítulos. 

CIB2. BRAGA. BPAD: MS. 103

MAIS INFORMAÇÃO

Conserva só a segunda parte, com 28 capítulos. 

CIB2. BRAGA. BPAD: MS. 104

MAIS INFORMAÇÃO

Conserva a metade da segunda parte e é continuação do manuscrito 103 da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga. Contém do capítulo 29 ao 51. 

CIB2. PORTO. BPM: CÓD. 23

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte com 56 capítulos. 

CIB1. PORTO. BPM: CÓD. 42

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. 

CIB1. PORTO. BPM: CÓD. 548

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 75 capítulos. 

CIB 1-2. PORTO. BPM: CÓD. 1336

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. Segunda parte com 56 capítulos. 

CIB1. VILA VIÇOSA. BPD: LXXIV

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte com 41 capítulos. 

CIB2. VILA VIÇOSA. BPD: LXXV

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte com 22 capítulos. 

CIB2. VILA VIÇOSA. BPD: LXXVI

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte que abrange do capítulo 23 ao 37. 

CIB2. VILA VIÇOSA. BPD: LXXVII

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte que abrange do capítulo 38 ao 56. É continuação do manuscrito LXXVI da Biblioteca do Paço Ducal de Vila Viçosa. 

CIB2. TOLEDO. BIBLIOTECA DO CIGARRAL DEL CARMEN: NR. 608

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte com 33 capítulos. 

CIB2. UTRECHT. BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: MS. 11.C.2

MAIS INFORMAÇÃO

Contém a segunda parte. 

CIB1. UTRECHT. BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: MS. 11.C.3

MAIS INFORMAÇÃO

Contém os capítulos 1-25. 

CIB1-2. CALIFÓRNIA. GREEN LIBRARY OF STANFORD: MS. 0760-F

MAIS INFORMAÇÃO

Contém as quatro partes, a primeira com 41 capítulos e a segunda com 51. 

CIB1. WASHINGTON. LIBRARY OF CONGRESS: MS. 152

MAIS INFORMAÇÃO

Primeira parte. 

CIB2. WASHINGTON. LIBRARY OF CONGRESS: MS. 58

MAIS INFORMAÇÃO

Segunda parte. 

 

ÁRVORE GENEALÓGICA DE PERSONAGENS (ARCHIVO):